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novembro que se avizinha

Nasci afogado nas lágrimas incessantes da minha mãe. O pulsar do coração não obedecia ao sopro da vida. Os pulmões respondiam a espaços. O ventre fechado não ousava abrir de novo portas. Cá fora tudo fere, deposita-se o tempo na pele enrugada, do embrião sem memória.
Passaram-se anos. Só no novelo enrolado das fotografias consigo descortinar um laivo de agitação desse inverno. Revela-se a realidade estática do meu corpo. Constante agonia de palavras vãs, risco surdo de um diário mínimo por escrever. Movimentos presos, indeléveis, sacudidos pela perene brevidade de um sopro. Mais não sou que a fuga ao passado fracassado, construção material do amor consumado. Eu, como os outros, como vós.

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