Avançar para o conteúdo principal

da alma

Ia jurar que nos últimos dias o meu coração deixou de bater.
Bato no peito e não obtenho resposta.
Um músculo forte e pára assim de um momento para o outro?
Sou jovem, tenho uma vida pela frente. É certo que não sou casado, nem tenho filhos, mas que raio, quero
continuar a andar por aí!

(Alguém me ouve?)

Se tivesse descontente já teria posto um balázio na cabeça ou uma corda ao pescoço. Mas não o fiz.
À Horas a fio nisto. Sem resposta.
Já quase não ouço. Nem risadas, nem conversas parvas à minha volta. E o barulho dos carros… onde se meteram todos?

(Brincar, tudo bem, mas assim não vale. É estúpido)

A luz?, simplesmente não vejo.
Maldita sina a minha. Se me cansar de vez disto, como é que encontro a saída, conseguem-me explicar?
Bem, sempre vos digo, deitarem-me sobre uma manta acolchoada áspera, por debaixo de uma tábua rasa é de muito mau gosto!

(Por amor de deus)

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Domingo

dos trapos

Que desconforto! A dor de cabeça miudinha, deu lugar à estranheza e ao desespero. Ontem, foi domingo, certo? Hoje, segunda-feira… Muito bem, se assim é como é que explicam que aos 85 anos eu possa ter adormecido numa casa num dia e tenha acordado numa outra na manhã seguinte? Julgar-me-ia louca, não fora a dificuldade como caminho, mesmo num chão bem posto e macio como o do meu quarto, sala, cozinha e casa-de-banho. As obras custaram-me anos de reforma. O senhor Joaquim, um homem muito honesto e trabalhador que conheço desde moço, cumpriu tudo o que lhe pedi. Em poucos meses, quase sem dar por isso, pôs-me tudo novo: trocou o papel parede por tinta rosa velho, trocou o soalho por tacos envernizados cor de pinho, os móveis, esses, continuam os mesmos, sólidos, à antiga à portuguesa. Mas, como dizia, de um dia para o outro, sinto que não estou no sítio onde pertenço, mas longe da minha casa. É tudo tão diferente, tão pouco parecido com o que é meu, que não tenho dúvidas, eu não pertenç...

entre irmãos

Bruto, estúpido, cabrão de merda! As tuas mãos no meu pescoço quase que me estrangulavam. Senti-me com falta de ar, comecei a ficar primeiro vermelho, depois quase roxo e tu rias ininterruptamente, sem piedade nem comiseração pelo teu irmão mais novo. Se fui apanhado no parque de ténis a roubar bolas foi por tua culpa! Tu e os teus amigos é que queriam encher sacos e sacos delas. Novinhas em folha, daquelas ainda com muito pêlo, macias ao toque, duras e saltitonas. Não que saibam jogar alguma coisa de jeito. Vocês são fracotes, azelhas mesmo, mal conseguem fazer passar a bola de um lado para outro da rede mais do que duas vezes seguidas. Querem exibir-se para as miúdas, mostrarem o quanto são fortes, dignos de admiração e cobiça. Parvos, vocês são uns parvos, ouve o que te digo. Eu já me consegui aproximar do grupo das miúdas, escutei-lhes os desejos e sabes que mais, para elas tu e os teus amigos não passam daqueles gelados de Verão, daqueles que se compram só por não se ter dinh...